Wednesday, April 29, 2015

A FESTA DE BABETTE (BABETTES GAESTEBUD)

Dirigido por Gabriel Axel, com Stéphane Audran, Bodil Kjer, Birgitte Federspiel (1987, cores, 102 mn)
(Drama / Jovens e Adultos)

Dinamarca, século XIX: duas irmãs já de alguma idade vivem numa aldeia longe de tudo, tentando manter viva a comunidade protestante fundada pelo pai; a esta aldeia chega Babette, francesa e católica. A certa altura, Babette ganha a lotaria e pede às duas irmãs que a autorizem a oferecer um banquete à aldeia – banquete cujos sumptuosos preparativos gastronómicos ocupam toda a segunda parte do filme. Mas a comida não serve, neste caso, para abaixar a natureza, antes para mostrar o seu refinamento e a sua elevação – e também, de forma mais subtil e ocasionalmente bem-humorada, as diferenças entre a alegre carnalidade católica e o rigoroso espiritualismo luterano.

O DISCURSO DO REI (THE KING'S SPEECH)

Dirigido por Tom Hooper, com Colin Firth, Geoffrey Rush, Elena Bonham Carter (2010, cores, 118 mn)
(Drama / Adultos)

O rei Jorge VI da Grã-Bretanha, que ascende inesperadamente ao trono na sequência da morte do pai e da escandalosa abdicação do irmão, é gago. Ora, um rei não pode falar ao povo gaguejando, e o filme narra a história da superação deste defeito por meio das pouco ortodoxas terapias do homem contratado para ajudar o monarca. 
Com uma reconstituição perfeita da época e uma notável caracterização das personagens, o filme conta com um excelente desempenho de Colin Firth.

ESCALAS DO LEVANTE (LES ÉCHELLES DU LEVANT)

Amin MAALOUF (n. 1949)
Lisboa, Difel, 2008, 212 pp.
(Literatura /Adultos)

Ossyane e Clara, um príncipe otomano e uma jovem judia, conhecem-se em Paris depois de ambos pertencerem à Resistência francesa, casam-se no final da II Guerra Mundial, e regressam ao Médio Oriente com o objectivo de se instalarem na Palestina – sonho que acabarão por não conseguir realizar devido a um conjunto de circunstâncias pessoais, que Maalouf utiliza como subtil alegoria das circunstâncias políticas. 
Uma narrativa viva e que prende muito o leitor.

OS FILHOS DO HOMEM (THE CHILDREN OF MEN)

P. D. JAMES (n. 1920)
Lisboa, Estampa, 2006, 260 pp.
(Literatura / Adultos)

P. D. James é uma escritora de romances policiais mas esta obra é diferente do seu estilo habitual. 
Estamos em 2021 e há 25 anos que não nascem pessoas: a humanidade tornou-se estéril; com a esterilidade veio a absoluta ausência de esperança, que tem consequências terríveis na vida dos ingleses, país onde o romance se situa. Um grupo de cinco pessoas – cada uma com a sua motivação própria – reage contra este estado de coisas e, a certa altura, abre-se uma porta para o futuro; mas, para lá chegar, é preciso recuperar a vontade de ser humano. 
Um romance intenso e bem escrito, que faz pensar e nos coloca perante as dramáticas consequências do egoísmo levado ao extremo.

O MENINO DE CABUL (THE KITE RUNNER)

Khaled HOSSEINI (n. 1965)
Lisboa, Presença, 2013, 336 pp.
(Ficção / Jovens e Adultos)

Sem ser uma obra-prima, é um romance limpo e honesto (e ocasionalmente sentimental) sobre a amizade, a traição e o perdão, e as segundas oportunidades que se nos oferecem para nos redimirmos. 
Com uma narrativa simples, bastante linear, mas que prende a atenção, e uma passagem relativamente rápida (e mais do que suficiente) pelo Afeganistão dos talibãs.

O HOMEM QUE PLANTAVA ÁRVORES (L'HOMME QUI PLANTAIT DES ARBRES)

Jean GIONO (1895-1971)
Lisboa, Marcador, 2012, 54 pp.
(Ficção / Jovens e Adultos)

História de um humilde pastor da Provença que consegue reflorestar uma vasta área plantando todos os dias uma árvore enquanto vigia o rebanho. 
Curta narrativa poética, de grande beleza plástica.

O VISCONDE CORTADO AO MEIO (IL VISCONTE DIMEZZATO)

Italo CALVINO (1923-1985)
Lisboa, Teorema, 2009, 158 pp.
(Literatura / Adultos)

Uma história original, que simboliza o lado bom e o mau que coexistem no ser humano.